Encontro

Encontro em São Paulo – 16/02/19

No dia 16 de fevereiro de 2019, às 9h30, na Livraria SBS, iniciou-se o primeiro Barcamp de 2019 com o objetivo de promover uma roda de conversa sobre o mercado de tradução.

Após as apresentações os participantes começaram a contar sobre como foram suas entradas no mercado de trabalho. Falou-se sobre como cada entrada é diferente da outra e como há diferentes nichos de mercado, no entanto foram recorrentes as falas sobre como muitas carreiras iniciaram-se em agências de tradução e da importância de participar em eventos da área para conhecer pessoas.

Foi levantada a questão de como especializar-se em determinado assunto de preferência e falou-se que uma maneira é trabalhar para agências especializadas ou frequentar eventos específicos da área de interesse, mas em vários momentos destacou-se que é muito complicado para um freelancer negar trabalhos por não estar em sua área de preferência e que, principalmente no começo da carreira, é importante aceitar diferentes trabalhos para conseguir montar portfólio (incluindo a possibilidade de fazer traduções como voluntário); também destacou-se que aceitar trabalhos em diferentes áreas exige muita pesquisa, o que acaba enriquecendo a mente do tradutor e sendo uma das belezas da área de tradução.

Outro ponto bastante abordado foi a falta de orientação sobre o mercado de trabalho com que a maioria das pessoas que sai dos cursos universitários enfrenta, já que muitos dos professores não atua na área e, por consequência, não consegue orientar os alunos sobre isso; por isso destacou-se a importância de participar de eventos específicos e estar constantemente atualizando-se.

Ainda sobre a questão da entrado no mercado de trabalho, levantou-se a possibilidade de entrar em contato com editoras, pedir testes e também oferecer-se para trabalhos como os de cotejo e revisão, que podem ser uma maneira de mostrar seu trabalho e melhorar o portfólio (peça fundamental na carreira dos tradutores).

Falando sobre coisas fundamentais para os tradutores, tocou-se no ponto do bom senso, ressaltando-se que não é educado pedir os contatos dos clientes de outros tradutores, mas sim ter uma postura participativa, que pode se refletir, entre outros, na atuação em fóruns e afins.

Também sobre participações online, destacou-se que esta é uma ferramenta importante para o ingresso no mercado atualmente, sendo fundamental tomar cuidado com a postura e com o tipo de interação que se realiza (prestando sempre atenção ao tipo de perguntas feitas, ao modo como se escreve etc.).

Uma questão levantada durante o encontro foi a falta de opção de um seguro de responsabilidade civil para os tradutores, principalmente para aqueles que trabalham como freelancer, que os proteja em caso de algum processo em decorrência de uma tradução equivocada. Destacou-se muito a importância de fazer boas pesquisas e realmente dedicar tempo e esforços para a realização de uma boa tradução, mas falou-se sobre a cláusula de divergência de idiomas que normalmente existe nos contratos e afins, que acaba protegendo um pouco o tradutor.

Outro assunto abordado no evento foram as mudanças no mercado, o que vem alterando muito as maneiras de ingresso. Falou-se sobre como cada vez mais é recorrente o uso de traduções eletrônicas com uso de sistemas, o que faz com que aumente a procura por pós-edição (o trabalho de revisão e melhoria da tradução realizada por sistemas).

Sobre este tema houve relatos de que os sistemas estão cada vez mais eficientes (apesar de ainda ser necessário realizar testes para verificar a qualidade dos sistemas utilizado pelos clientes antes de fechar trabalhos, por exemplo) e que, ao contrário do que pode parecer, eles não diminuem os ganhos dos tradutores, ainda que se cobre menos por este tipo de trabalho do que pela tradução propriamente dita, posto que ele acaba aumentando a produtividade do profissional.

Em contrapartida a essa introdução de sistemas para traduções mais técnicas (que muitas vezes tem até dispensado as pós-edições) e acompanhando a tendência de produzir-se menos materiais escritos e mais vídeos (como tutoriais, apresentações etc), a necessidade de legendagens vem crescendo constantemente, o que ressalta mais uma vez a necessidade de constante atualização do profissional de tradução.

Após muito debate, interações, reflexões e integração, encerrou-se mais uma edição bem-sucedida do Barcamp SP.

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